Esta série de fotografias da cidade de Manhumirim, MG, em preto e branco e sépia oferece um olhar profundo e texturizado sobre um tecido urbano brasileiro de caráter histórico, onde o tempo não se apagou, mas se sobrepôs em camadas. O conjunto atua como uma crônica visual da resistência cultural em face da modernidade funcional.
O elemento unificador é o calçamento de paralelepípedos, que domina a cena em todas as imagens. Essa textura áspera, amplificada pela ausência de cor, não é apenas um detalhe estético, mas o símbolo da permanência. Ele impõe um ritmo de vida mais lento, em contraste direto com a pressa do século XXI.
O coração desta série reside na tensão constante entre o charme do passado e as necessidades do presente:
A Herança e a Tradição: As fachadas com linhas simples, as janelas em arco e o uso de pedra bruta nas fundações evocam a herança arquitetônica, sugerindo uma cidade construída para durar. O ponto alto dessa evocação é a presença da carroça puxada a cavalo, um anacronismo poético que ancora a cena em uma temporalidade anterior. Esta figura, capturada ao lado de postes de eletricidade, encarna a persistência da tradição.
A Invasão Funcional: A realidade da vida moderna é inegável e visualmente intrusiva. A densa e caótica rede de fiação aérea, cortando o céu e as linhas dos telhados, simboliza o custo da funcionalidade. Essa infraestrutura é a prova de que a cidade está viva e conectada, mesmo que exija uma sobreposição visual desordenada sobre a beleza histórica. Ao lado disso, a presença de carros estacionados e portões de garagem de metal confirma que estas são ruas de tráfego e moradia ativa, e não apenas peças de museu.
A escolha estética do monocromático é deliberada e crucial, pois transforma a cor em textura e forma, realçando os contrastes dramáticos entre as fachadas caiadas de branco e as sombras escuras das portas e persianas fechadas.
Em suma, estas fotos de Manhumirim documentam um lugar que se recusa a ser apenas uma relíquia. É um espaço onde a história é vivida, negociada e adaptada diariamente. A coleção convida o observador a refletir sobre a coexistência complexa entre a memória gravada na pedra das ruas e a pulsante, desordenada vida moderna.
Para a minha irmã Silvia Gama (1951 - 2025)
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O Gemini escreveu e eu dei uma ajudinha na edição do texto.
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