Entre sombras e claridade

Você sabia que “fotografia” significa, literalmente, escrever com luz? A palavra vem do grego: foto = luz, grafia = escrita. Confesso que essa definição nunca me convenceu totalmente. Sempre achei mais honesto algo como “captar a luz” (lucem capere). Mas, sejamos sinceros: não tem a mesma força, nem o mesmo brilho. “Fotografia” vence porque nenhuma alternativa soa melhor.

Nos últimos tempos, tenho me divertido com pequenos experimentos luminosos. E o mais curioso é que não preciso de equipamento caro. Uma Powershot — ou até o celular — resolve. O segredo está em observar a luz do sol com atenção verdadeira, quase devocional.

Debaixo das árvores, por exemplo, ver os raios atravessando as folhas é uma espécie de magia cotidiana. E quando não há árvores por perto, tudo bem: janelas, claraboias, frestas improváveis… qualquer abertura vira convite para brincar com a luz.

E nessa época do ano — inverno tropical — a rua se transforma em palco. Os raios chegam mais horizontais, desenhando sombras longas e criando efeitos dramáticos. É como se o mundo ganhasse uma camada extra de poesia. Reparar nesses detalhes virou quase um esporte para mim. Cada clique é um exercício de presença, um treino para enxergar o que normalmente passa despercebido.

Entre claraboias, árvores e calçadas, a luz tem sido minha professora silenciosa — ensinando a ver o mundo com mais atenção, delicadeza e curiosidade.

  



Gostou do conteúdo? Leia, comente e compartilhe para ajudar o blog a chegar a mais pessoas!


Visite o meu blog Coisas da Educação: https://zjgama.blogspot.com/

Comentários