A fotografia como reinvenção de uma vida





“A existência precede a essência?” essa ideia é central no existencialismo de Jean-Paul Sartre e ecoa de forma profunda quando revisito a minha própria história. Hoje, com algumas décadas de vida, percebo que nada em mim foi dado de antemão: tudo foi construído ao longo do tempo, por meio de decisões, erros, reinvenções e descobertas. Sustentei minha família, cumpri meu papel na continuidade da vida e trilhei caminhos que jamais imaginei quando criança em um pequeno povoado nas montanhas de Minas Gerais.

No campo intelectual, avancei muito além das expectativas iniciais: tornei-me Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, realizei pós-doutorado em Lisboa, escrevi livros, participei do debate público sobre educação e fechei meu ciclo acadêmico com a sensação de ter contribuído para a formação crítica de muitos.

Mas a vida sempre reserva surpresas. Foi na aposentadoria que descobri a fotografia. No começo, ainda sem estilo definido, percebi que precisava estudar. Fiz uma pós-graduação a distância na Faculdade Unyleya, em Portugal, e depois mais dois cursos, um deles presencial. O gosto pela fotografia só aumentou — e algumas das minhas imagens já foram expostas no Museu dos Correios (Brasília), no Espaço Funarte – Galeria Mario Schemberg (São Paulo), no Centro Cultural dos Correios e no Consulado Geral da Argentina, aqui no Rio de Janeiro.

Se a docência e a escrita ajudaram a moldar quem sou, a fotografia se tornou uma nova linguagem para continuar essa construção. As câmeras me ofereceram uma forma distinta de interpretar o real, guiada por estudo, curiosidade e rigor estético. Algumas dessas imagens já alcançaram espaços expositivos importantes, e agora chegam também ao meu blog, acompanhadas da minha evolução técnica e conceitual.

Que estas fotografias encontrem no leitor um olhar atento e disposto a dialogar com o meu. Como disse Sebastião Salgado, “cada um fotografa conforme a sua história” — e esta é a história que me trouxe até aqui. Que ela siga se transformando, porque a essência continua a nascer da existência, todos os dias.



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