As contradições sociais ferem o meu coração. Sinto profunda tristeza ao ver alguém mendigando nas calçadas e recebendo, em troca, apenas o desdém e a falta de empatia.
Não gosto de fotografar pessoas nessa condição. Prefiro registrar a pobreza em seus símbolos, nos espaços e marcas que ela deixa.
Ainda assim, às vezes fotografo alguém em situação de mendicância quando sinto que a imagem pode despertar um sorriso ao se ver retratado. Nunca publico essas fotos. Faço-as apenas pelo sorriso, pela alegria que posso proporcionar naquele instante.
Outro dia, por exemplo, fotografei uma senhora sentada na calçada do Palácio do Catete. O sorriso que iluminou seu rosto foi lindo. A foto ficou muito bonita e talvez, justamente por isso, ela tenha se visto como há muito tempo não se via
A imagem que mostro agora é de um abrigo humano na mesma calçada do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Alguém completamente à margem do mundo: não é produtor nem consumidor; sobrevive dos restos, das migalhas que o acaso oferece. Poucos se compadecem. A maioria enxerga ali apenas um monte de lixo humano, um cheiro ruim, uma reclamação a ser enviada aos poderes municipais.
E assim, o invisível continua invisível, enquanto o coração de quem observa se parte em silêncio.
Se este texto e esta imagem tocaram você, comente e compartilhe. Talvez possamos, juntos, tornar o invisível um pouco mais visível.
Comentários
Postar um comentário