Como prometi, aqui está o meu primeiro texto sobre
fotografia. E, pra começar, nada mais justo do que começar com o clássico da
Susan Sontag — ou, pros mais íntimos e estudiosos, Susan Rosenblatt
(1933–2004). Sim, peguei essa informação direto da Britannica, que é quase a
Wikipédia de terno e gravata.
Antes de mais nada, aviso: esse texto não tem carimbo de
academia. Chega de escrever com aquela rigidez de professor universitário que
precisa citar até a marca da caneta. Agora eu quero liberdade! Mas calma:
liberdade não é bagunça. Não vou largar a veracidade nem a consistência no
lixo. Só vou escrever do meu jeito, mais solto e com a ajuda da IA (ChatGPT)
para que fique mais leve e bem humorado.
Pois bem, Sontag não foi só a mulher que parou o mundo com Sobre
Fotografia (1977). Ela também mandou ver em romances, ensaios, resenhas — o
pacote completo. Mas foi nesse livro aí que ela juntou filosofia, sociologia,
estética e crítica cultural num mesmo caldeirão. E sem dó: ela misturou
Baudelaire, Kafka, Foucault, Barthes… como quem faz feijoada com tudo que tem
na geladeira, ou, dito de outra forma, de uma maneira bem pragmática. Isto quer
dizer que ela não pensa duas vezes em usar autores de diferentes epistemologias
para conseguir resultados. É aquela história de que todos os fins justificam os
meios e tomara que Kant não a leia, porque para ele os meios é que justificam
os fins, quanto mais honestos e éticos sejam mais honesto e ético será o fim, o
resultado.
E o que ela queria, afinal? Basicamente, entender como a
fotografia mudou nossa forma de ver, lembrar e imaginar o mundo. Perguntas que
ela joga na roda: fotografar é conhecer, é apropriar-se, é ter poder? As
imagens moldam o nosso olhar ou só anestesiam nossa sensibilidade? Dá pra dizer
que a foto é uma janela pro mundo ou só um filtro de Instagram avant la lettre?
A tese que fica é: a fotografia é faca de dois gumes. De um
lado, amplia o acesso ao mundo; de outro, transforma tudo em fetiche, consumo e
espetáculo. Traduzindo: ela nos aproxima e, ao mesmo tempo, nos afasta. É um
“te mostro, mas não te deixo sentir de verdade”.
No fim, Sontag conclui que fotografar é uma forma de posse.
A gente captura o instante, arranca ele do contexto, transforma-o em
representação e pronto: agora é nosso. Só que esse “nosso” é manipulável,
reinterpretável, vendável. E, de tanto olhar foto de guerra, tragédia e
sofrimento, a gente se acostuma, perde a sensibilidade. É a tal “anestesia
moral”.
Pra resumir, ela bate muito em quatro teclas:
- Fotografar
é se apropriar.
- A
fotografia cria beleza no banal, mas empobrece a experiência.
- O
excesso de imagens de dor, tragédias e miséria dessensibiliza.
- A
fotografia é ambivalente: tanto democratiza quanto aliena.
Agora, sejamos francos: o livro tem seus brilhos e seus
tropeços.
Forças? Erudição de sobra, escrita afiada e
aforística (aquela frase que já nasce pronta pra virar citação no Instagram ou
nas publicações de Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Jaguar). É original porque não
trata foto só como técnica ou arte, mas como fenômeno cultural inteiro. E ainda
traz relevância política — antecipando discussões que hoje fervem nas redes
sociais.
Fraquezas? Às vezes Sontag generaliza bonito. E,
convenhamos, ela puxa pro lado pessimista: parece que a fotografia serve mais
pra alienar do que libertar. Além disso, não entra muito no chão da prática
fotográfica; fica no plano das ideias. Sem falar que, sendo dos anos 70, não
pega a onda digital e das redes (mas continua sendo surpreendentemente atual).
No fim das contas? Sobre Fotografia é leitura
obrigatória. Sontag nos lembra que a foto nunca é neutra — sempre tem intenção,
efeito, consequência. É um clássico porque abriu caminho pra todo mundo que
veio depois pensar a imagem como estética, política e cultura. Dá pra discordar
dela em muita coisa, mas não dá pra ignorar.

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