Eis aqui uma série de fotografias em preto e branco que
oferece um vislumbre fascinante da arquitetura histórica brasileira existente em Manhumirim, MG. Os edifícios retratados por mim, Zacarias Gama, pertencem
claramente a um período de intenso processo de modernização e
institucionalização urbana, que se deu no país entre o final do século XIX e as
primeiras décadas do século XX.
Em particular, o registro do prédio da antiga "Escola
Normal", atual Colégio Santa Teresinha é um forte indicador da importância
dada à educação e à formação de professores durante a Primeira República,
momento em que esses edifícios eram erguidos com fachadas imponentes,
frequentemente em estilo Eclético ou Neoclássico. Tais construções não eram
apenas funcionais, mas serviam como verdadeiros monumentos cívicos, projetando
a imagem de ordem e progresso. A estátua que coroa o frontão adiciona um
elemento de religiosidade que era comum mesmo em edifícios de instrução pública
da época, demonstrando a intersecção cultural.
Outro ponto de destaque é a imponente torre da Igreja Matriz
do Bom Jesus, cuja verticalidade acentuada, agulha pontiaguda e ornamentação
indicam o estilo Neogótico. Este estilo floresceu no Brasil como uma
alternativa ao Barroco e Rococó, sendo adotado por muitas ordens religiosas,
entre elas a ordem dos Sacramentinos fundada pelo Pe. Júlio Maria, para
simbolizar o retorno às tradições medievais europeias e um senso de aspiração
ao divino. A torre, juntamente com o corpo do edifício vizinho, prédio do
Seminário e do antigo Colégio Pio XI, forma um conjunto arquitetônico que
domina a paisagem, reforçando o poder e presença da instituição religiosa na
vida da comunidade.
Por fim, a cena urbana de uma rua de paralelepípedos com um
prédio comercial de estilo similar, também do início do século, ajuda a situar
as grandes construções em um contexto de vida cotidiana, sugerindo que a cidade
em questão deveria possuir um centro histórico coerente e bem estabelecido,
onde diferentes tipos de patrimônio pudessem conviver. O conjunto evoca uma
atmosfera de solenidade e tradição, característica das cidades brasileiras que
preservaram seu acervo arquitetônico do período da Primeira República.
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