Fotografia, pragmatismo e ética: tensões necessárias



O presente texto resulta de "conversas" minhas com a IA Copilot. Uma "conversa" iniciada com o conceito de semiótica, mas que evoluiu filosoficamente para uma crítica ao pragmatismo de Peirce, James e Dewey, entendido por mim como "filosofia de resultados sem preocupação com a ética". Fiz tal crítica tomando como base a razão pura de I. Kant e as fotos de Sebastião Salgado. 

"Conversando com a IA"

"O pragmatismo, entendido como uma “filosofia de resultados”, nasce no seio da cultura norte‑americana e carrega em si a marca de uma sociedade que valoriza a eficácia acima da fundamentação universal. Em Peirce, James e Dewey, a verdade não é contemplada como fim em si mesma, mas como aquilo que funciona, aquilo que produz efeitos práticos. Essa lógica, que parece inocente no campo da teoria, revela sua face mais dura quando transposta para a política: é a mesma racionalidade que legitima a imposição do poderio militar dos Estados Unidos em nome da defesa de áreas de interesse e exploração. O critério não é a legitimidade ética, mas o resultado.

Kant, ao contrário, recusa essa instrumentalização. Para ele, tanto no plano da ação quanto no da teoria, não se pode usar meios questionáveis para atingir fins desejados. O imperativo categórico exige que a verdade e a dignidade sejam tratadas como fins em si mesmas, nunca como instrumentos. Daí a crítica: o pragmatismo, ao costurar conceitos díspares para gerar efeitos interpretativos, cria um corpo teórico híbrido, um verdadeiro Frankenstein. Ele se move, produz resultados, mas carece de unidade racional e de legitimidade ética.

É nesse campo de tensão que a fotografia de Sebastião Salgado se torna exemplar. Suas imagens de Serra Pelada, por exemplo, não são apenas registros sensíveis de corpos exaustos; são testemunhos da essência da exploração, da redução do humano a engrenagem. Se lidas com lentes da semiótica e do pragmatismo, funcionam como signos que mobilizam reflexão e denúncia. Mas se lidas kantianamente, exigem respeito ético: não podem ser reduzidas a instrumentos, são fins em si mesmas, testemunhos da dignidade violada. Já em Gênesis, Salgado nos mostra os cantos intocados do planeta, paisagens e povos que resistem à devastação. Aqui, a fotografia não é apenas útil para pensar a natureza; ela é contemplação da essência, manifestação daquilo que deve ser preservado por dever, não por conveniência.

Assim, a fotografia nos coloca diante da escolha: aceitaremos o pragmatismo como filosofia de resultados, que legitima a “forçação” teórica e política em nome da eficácia, ou seguiremos Kant, que nos lembra que há limites éticos intransponíveis? Salgado, ao mesmo tempo denúncia e celebração, nos obriga a reconhecer que a imagem não pode ser apenas sombra ou signo útil. Ela é testemunho que exige respeito, ponte que nos conduz à essência. E é nesse ponto que o pragmatismo revela sua insuficiência: ao tratar a verdade como meio, ele trai a dignidade do humano e do mundo. Kant, ao contrário, nos lembra que a essência não pode ser manipulada — deve ser buscada e respeitada como fim.

Esse contraste mostra que a fotografia, longe de ser apenas uma filosofia de resultados visuais, é campo de disputa entre pragmatismo e ética. E talvez seja justamente aí que reside sua força: ao nos obrigar a escolher entre o Frankenstein da utilidade e a exigência kantiana de dignidade."


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