As construções espelhadas que podem ser vistas nestas fotografias mostram exatamente como o mundo pós-moderno funciona: ele cria uma barreira de vidro que deixa o "mundo lá fora" apenas como um reflexo, sem nunca o deixar entrar. Para Fredric Jameson, isso é o que ele chama de perda de profundidade. O prédio não quer que vejamos o que está lá dentro; ele quer ser um espelho que transforma a cidade numa imagem plana. Quando olhamos para estas fachadas, não vemos a estrutura, vemos apenas um cenário que se repete e nos isola da realidade.
É aqui que entra o conceito de pastiche. Percebemos que, ao refletir o Cristo Redentor ou um detalhe de um prédio antigo de 1821, o vidro, da mesma forma que uma poça d'água, transforma esses símbolos históricos em meros "retalhos" visuais. Não há uma homenagem ou uma crítica à história; há apenas uma cópia vazia, um uso da imagem do passado como se fosse um filtro de rede social. O monumento histórico, que deveria ter peso e memória, torna-se tão leve e descartável quanto o reflexo de uma nuvem, perdendo o seu significado original para virar apenas decoração na fachada do capital.
Tudo isto gera uma enorme desorientação no sujeito. Nestas imagens, o chão vira céu através das poças e a cidade vira uma grelha através das redes de proteção, o que nos faz perder o pé. É o "hiperespaço" de que Jameson fala: um lugar onde o corpo humano já não se consegue localizar nem entender onde termina o objeto e onde começa o reflexo. Ficamos à deriva, rodeados por imagens que brilham mas não têm conteúdo. No fundo, estas construções espelhadas são meios de isolamento que nos desligam da cidade real e nos mergulham num mundo de superfícies, onde a memória e a nossa própria identidade parecem dissolver-se no vidro e numa poça d'água.
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