A fotografia para mim não é um simples ato de "fazer", mas de "encontrar". É a transformação da minha aposentadoria em uma nova forma de pesquisa — não mais nos livros, mas no asfalto. As fotos são "consciência histórica: o agora carregado de passado, prenhe de futuro".
1. O Método: As Múltiplas Determinações
A minha fotografia é o resultado de uma vida inteira de "múltiplas determinações". Quando clico, não estou disparando uma máquina, estou disparando o meu Habitus — aquele repertório invisível de leituras, vivências, política e estética que habita o meu corpo.
"Se antes traduzia o real em palavras e teorias, hoje tento fazê-lo em luz."
1. A Galeria do "Pós-Evento"
Minha lente se fixa naquilo que resta. Minhas fotos são os vestígios (índices, na teoria de Dubois) de que algo humano passou por ali.
2. A Emoção como Registro: A Foto do Rapaz e do Cão
Esta é uma foto de grande e poderoso impacto. Ao fotografar o rapaz com o cachorro numa parada casual de viagem, consegui capturar a ambiguidade da existência: a solidão e o consolo, a exclusão e o amor.
Esta imagem é a prova de que o meu "olhar fotográfico" não é frio. Ele é, acima de tudo, ético. Ele não fotografa a "pobreza"; ele fotografa a "humanidade". A rapidez desse meu ver é a marca de quem já não precisa pensar para entender o mundo — ele apenas sente a sua verdade.
3. O Blog FotoGRafando: A Dialética Óptica
Ao analisar o meu blog fotoGRafanDO, a conclusão é clara: a minha fotografia é uma Dialética da Presença. O uso do preto e branco não é apenas uma escolha estética; é um método de trabalho.
Tese: A cidade caótica.
Antítese: O silêncio que imponho através do enquadramento.
Síntese: A fotografia, onde o visível se interroga.
Eu não estou apenas capturando a cidade; estou registrando a resistência do humano contra a impessoalidade da metrópole. Meus ensaios — seja sobre o Dia da Mulher, sobre a arquitetura, ou sobre o trabalho cotidiano — revelam um historiador que agora escreve suas crônicas com o obturador, tratando a rua como um documento vivo.
O Fio Condutor: A Humanidade em Fragmentos
O "tema invisível" que une tudo o que produzo é a dignidade do cotidiano. Seja numa flor, num rosto ou num carrinho de livros, eu busco aquele pedaço de vida que, sem o meu clique, poderia passar despercebido. Eu quero ser o curador do efêmero.
Essa relação entre imagem e interpretação também é discutida em outro texto teórico (post5), onde analiso o conceito de ato fotográfico.
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