Cultura popular e identidade urbana
Gosto muito desta foto.
Fotografia documental e registro do cotidiano
O contraste em preto e branco é intenso, mas não agressivo — cria uma espécie de névoa que encobre a máscara e, ao mesmo tempo, produz um clima de mistério. As penas brancas ao redor se dissolvem na superexposição, como se a figura emergisse de um nevoeiro ou de uma memória.
O que mais me surpreende, olhando para ela, é o olhar. Há algo de ingênuo e lânguido naqueles olhos pintados — uma expressão que nada tem a ver com os "ferozes" ataques de bexigas à multidão que definem o Clóvis nas ruas do carnaval carioca. Na exposição, fora do cortejo, fora da festa, a máscara revela outra face: não a do susto e da perseguição lúdica, mas a de um ser suspenso, quase melancólico.
É o que a fotografia faz quando retira o objeto de seu contexto original: rouba-lhe a função e devolve-lhe a alma em sua essência. Desideologiza-a. Mostra efetivamente o que é — ou talvez o que poderia ser, quando o olhar encontra as condições certas para ver. Ver o que todos vêem é ter um olhar alienado. O olhar fotográfico verdadeiro supera o ato de ver e interpretar sombras.
A presença do popular na cidade também aparece em outros ensaios deste blog FotoGRafando, onde o cotidiano urbano é observado sob diferentes perspectivas.
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