Muitos me perguntam por que levei a minha câmera, tão acostumada ao rigor do preto e branco (P&B) urbano, para a complexidade das flores. A resposta é simples: o meu olhar não mudou; ele apenas encontrou um terreno mais complexo para ser exercido.
Geometria e organização do espaço
Na fotografia de arquitetura, aprendi a caçar a geometria oculta atrás do caos do asfalto. Quando apontei a lente para o botânico, busquei essa mesma estrutura. Não há diferença entre a viga de um edifício e a nervura de uma pétala: ambas são sistemas e formas que obedecem a leis físicas implacáveis do mundo concreto.
O Desfoque como Ferramenta de Exclusão
O desfoque do fundo, que utilizo obsessivamente, não é um simples efeito estético; ele é, na verdade, um bisturi. Utilizo a profundidade de campo como uma ferramenta radical de limpeza. Ao dissolver o ambiente, realizo uma técnica de subtração:
Eliminação do Ruído: Retiro o sujeito da sua zona de conforto.
Anatomia Pura: Quando o contexto desaparece, sobra apenas a geometria e a textura nua.
Arquitetura Orgânica: O objetivo não é mostrar "uma flor", mas a lógica estrutural que permite que aquela forma exista.
O Esqueleto da Existência: Natureza em Preto e Branco
Tanto na frieza de um prédio quanto na delicadeza de uma folha, o que procuro é o mesmo: o esqueleto da existência das coisas, a essência delas. É um exercício de isolamento onde a cor — com toda a sua capacidade de distração — se torna dispensável.
Se no P&B urbano eu busco a rigidez da cidade, aqui o objetivo é flagrar a rigidez contida na natureza. A fotografia, para mim, é uma investigação sobre o que sustenta as coisas; um esforço para ver o desenho por trás do que floresce, cresce ou se ergue diante dos meus olhos.
A observação do espaço urbano também aparece em outros ensaios de FotoGRafando (Post sobre Catete – poder e paisagem, e Post sobre reflexos), onde a cidade é analisada sob diferentes perspectivas visuai
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