Esta semana tenho produzido uma série de fotografias centradas em reflexos — em água, vidro e superfícies metálicas. É um campo que venho explorando com interesse crescente, sobretudo pelas possibilidades de fragmentação e reconfiguração da realidade.
O celular funciona aqui não como limitação, mas como instrumento. Utilizo principalmente o modo retrato com filtros nativos, em especial o monocromático básico. Essa escolha não é apenas estética: o desfoque do fundo contribui para isolar elementos e direcionar o olhar, enquanto o preto e branco enfatiza formas, contrastes e texturas.
Técnica de fotografia com celular
Em imagens de pessoas e flores, esse procedimento tende a produzir resultados mais diretos e legíveis. Já nos reflexos, ele introduz ambiguidades: o que é superfície, o que é profundidade, o que pertence ao objeto e o que é projeção.
O que me interessa, portanto, não é apenas o efeito visual, mas a instabilidade da percepção — a possibilidade de construir imagens em que o real aparece deslocado, duplicado ou parcialmente oculto.
Veja também meu ensaio sobre fotografia urbana no Catete
Comentários
Postar um comentário